Humberto Barros é ex-aluno da Artemúsica, compositor, tecladista, desenhista, produtor musical e um GRANDE SUCESSO. Durante sua carreira, trabalhou com grandes músicos como Rita Lee, foi produtor musical do Lobão e integrante do grupo Kid Abelha. Saiba mais sobre essa fera da música nesta entrevista.

Como surgiu a música na sua vida?

Foi através dos Beatles. Eu tinha uma tia que era muito fã dos Beatles. Ela e as amigas faziam bolo de aniversário do Paul McCartney. Quando eunasci já tinham dois discos lá em casa. Eu os herdei, tenho até hoje. Admirava quando os via na televisão. Eu brincava de ensaiar com meus amigos, eu era o baterista. Todos pegavam alguma coisa pra batucar enquanto ouvíamos a música tocar para imitá-los.

Conte-nos por que a escolha do instrumento teclado.

Eu escolhi o teclado por influência de músicas específicas. Foi na época em que o Chico Buarque estava lançando o disco A Ópera do Malandro. Tinham umas músicas com uns solos de piano e até As Frenéticas cantavam na época. Acho que era "Ai Se Eles Me Pegam Agora", um negócio assim. Tinha uns solos de piano que eu adorava. Os Beatles tinha In My Life. Na época, também em 76, veio ao Brasil o tecladista de música progressiva Rick Wakeman. Ele era o tecladista da Banda Yes. Ele estava começando a

carreira solo e veio tocando Viagem ao Centro da Terra que juntava orquestra sinfônica com uma banda de rock. Quando eu vi o cara tocando eu fiquei fascinado. Teve uma hora que parei pra pensar e vi que na música pop o cara que mais tem o som na mão era o pianista ou o tecladista. Aí eu comecei a conhecer um pouco de jazz, ter aulas. Já estava começando a brincar.


Como começou sua formação musical?

Foi por ter escolhido piano e vi que a concorrência era toda estudada. (risos) Não é um instrumento que as pessoas saem chutando, pegando de orelhada. Poucos conseguem. A maioria das pessoas que tiveram sucesso com piano estudou. Então se já existia algum formato pra começar era estudando. Meus pais perguntaram se eu queria seguir carreira de músico, se eu queria estudar piano e eu queria sim. Aí eu via esses caras todos que falei estudando piano, os Beatles não, mas aqueles que tocavam mesmo piano e teclado. Só tinha gente que estudou muito. Aí falei: "Não tem jeito. Tem que estudar." É assim que se faz com esse instrumento. (risos)

E sua experiência na Artemúsica? Foi sua primeira escola?

Primeiro me indicaram uma senhora lá no Flamengo. Aí comecei estudando lá. Estudei um pouquinho, mas resolvi mudar de ares porque achei que ela estava só na música clássica. Eu queria algo que eu gostasse mais. Naquela época eu não chegava a pensar algo certo pra mim, tipo "eu quero isso, eu quero aquilo que vai me fazer melhor", mas pensando hoje eu acho que era a distância entre o que eu fazia e o que ela fazia. Aí, morando aqui na Barra, a gente começou a procurar por aqui. A Márcia estava começando, era só ela. Eu acho que a gente viu o logotipo da escola ou um anúncio em um jornal da Barra. A experiência na Artemúsica foi ótima, porque tinha uma coisa que lá com a outra professora eu não tive que é a integração entre os alunos, mesmo que iniciantes, como tocar juntos e formar uma banda. Tinha apresentações de fim de ano, naquela professora não tinha.

Você também trabalhou como ilustrador ou faz isso somente pelo prazer?

Eu sempre desenhei muito antes da música. Na minha família todo mundo desenha, é projetista, arquiteto ou engenheiro que tem hobby na arquitetura. Todo mundo desenha a mão livre de alguma forma, por parte de pai e por parte de mãe: o que é engraçado. Quando chegou a época de vestibular e faculdade, meu pai, com medo de eu ser músico e sabendo que de alguma forma aquilo estava acontecendo, (risos) me perguntou se eu não queria fazer algo relacionado a desenho, já que eu gostava, e acabar sabendo duas coisas ao invés de uma só. Aí eu fui pra faculdade fazer comunicação visual e já estava tocando com bandas cada vez mais profissionalizadas. Devido a isso, no final da faculdade, no último semestre, eu me embolei todo e tive que parar, aí 17 anos depois, já tocando com vários profissionais, eu resolvi voltar porque eu queria fazer uma pós-graduação já nesse lance de animação.

Quando o computador começou a entrar na casa das pessoas (alguns jovens vão estranhar isso, mas teve uma época que não tinha computadores nas nossas casas - risos), com programas como CorelDraw, Photoshop, eu já estava formado e tocando música, eu comecei a fazer as pazes com a ilustração. Comecei a me interessar por essa coisa de desenhar com o mouse e cada vez com softwares mais rápidos. Agora você faz coisas que nem imaginava fazer antes como, por exemplo, animação, e tudo de uma forma mais simples. Aí resolvi conhecer também a animação desenhada à mão no papel. Eu já conhecia porque eu sempre fui fã do Walt Disney desde criança.
Antes mesmo da música eu tinha um sonho, eu era molequinho com uns 7 ou 8 anos. Meu sonho era ser um Walt Disney. Eu era um megalomaníaco. Eu estudava a Disney. Eu fui à Disney quando tinha 12 anos e quando eu cheguei lá já sabia onde ficavam as coisas de tanto que eu pesquisava em livros ilustrados e revistinhas. (lembrando que um dia também não existia a internet)


Você prefere desenhar ou compor?

São coisas bem diferentes, mas o prazer é parecido. Na verdade o criar me dá muito prazer. Eu acho que criar é o que dá mais prazer ao ser humano. Há dificuldades em muitos lugares do mundo que impedem essa criação do homem, como no sertão, no interior da Índia. Imagina quantos pianistas existem por aí e nunca tiveram contato com o piano. Quantas pessoas que têm facilidade com música e não tiveram ou nunca possam passar por isso. Só é preciso ter uma chance para viver isso. Bem, desenhar pra imitar um desenho é um saco.

Tocar uma música que não seja muito a sua praia e que você tem que fazer pra cumprir um trabalho qualquer também é um saco. (risos) Desenhar, como é uma coisa que eu faço antes da música, tornou-se algo natural, comum pra mim. É muito difícil ensinar a desenhar, porque eu nunca aprendi, fá veio assim, de fábrica. Já tocar foi diferente, eu cheguei a dar aula de música, porque eu aprendi a tocar com alguém, e pude entender como se ensina.

Como você busca inspiração para compor? Ela surge do nada ou você precisa daquele tempo pra si mesmo?

Não é do nada e nem parado totalmente. Já veio de algumas formas diferentes. Já aconteceu de eu estar na rua e vir uma ideia, mas normalmente estou com o instrumento. Eu já tive ideia e quis fazer uma música em cima dela, mas muitas vezes é o contrário. A maior parte das vezes eu crio uma música e depois penso em uma letra. Acontece algumas vezes de surgir uma ideia do nada, aí você precisa de um gravador porque é muito fácil perder esse momento. Agora, quando eu estou com o instrumento eu tenho muitas formas de recorrer à minha memória pra lembrar quase tudo que eu quero no instrumento.

Aguarde a Segunda Parte desta entrevista com este GRANDE MÚSICO!

Confira os links com os novos trabalhos do artista.

"No Outono"
http://www.youtube.com/watch?v=f4EXeS_Tqj0

"Levantada"
http://www.youtube.com/watch?v=RGLxMNe-fhc

Ilustrações
http://www.flickr.com/photos/humbertobarros/

Ouça as músicas do Humberto na Rádio Artemúsica.